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Vespa em scraperboard














Hemistephanus cylindricus - Stephanidae
Vespa
Scraperboard (ou Scratchboard nos EUA - nanquim raspado)
Fundo negro digital
Cliente: Prof. Dr. Alexandre P. Aguiar (Universidade Federal do Espírito Santo - UFES)

Scraperboard

Também chamada (parece que apenas nos EUA) de scratchboard, esta técnica consiste basicamente na raspagem da tinta aplicada sobre uma superfície apropriada. É amplamente difundido o uso da raspagem do nanquim preto sobre uma superfície branca, mas poderia ser raspado outro tipo de tinta, de qualquer cor, sobre uma superfície também de qualquer cor.

A raspagem é feita utilizando-se um instrumento afiado. Há alguns feitos especialmente para isso e são chamados em inglês de Scratch Knife (faca, ou lâmina de raspar). Abaixo podem-se ver alguns desses instrumentos ainda hoje fabricados.

Na foto acima as duas lâminas da esquerda são HIRO LEONARDT 603 (creio que o primeiro à esquerda é de fabricação mais antiga e o segundo o atual). As duas da direita são HUNT 113, mostrando ambos os lados da lâmina. Repare que a HUNT é côncava internamente, o que pode se mostrar útil em casos diferentes do uso das lâminas planas.

Não é necessário, entretanto, ser escravo desse material, pois qualquer estilete afiado se prestará bem à raspagem, desde que se experimente bastante até que a técnica pessoal se desenvolva.

O segredo para o bom andamento do trabalho é manter a lâmina sempre ultra-afiada, o que permitirá que sejam raspados filetes extremamente finos de tinta. Isso faz com que essa técnica seja uma das que permitem maior riqueza de detalhes. Costumo afiar usando lixas d'água, apropriadas para lixar metais.

Adiante falaremos sobre a preparação da superfície sobre a qual se fará a raspagem. Por ora adianto que tanto a tinta acrílica quanto o latex se mostram muito bons para isso. A camada de tinta deve ser bem grossa (várias demãos), pois a lâmina pode assim ser mais calcada quando se deseja uma raspagem de maior calibre. Antes de aplicar a tinta, costumo engessar bem o papel. Todas as camadas de tinta ou de gesso são bem lixadas, com lixa fina, antes da próxima demão.

Já me apresentaram trabalhos cuja raspagem foi feita diretamente sobre o papel, sem nenhuma aplicação prévia de base de tinta. O papel usado para isso foi o cartão supremo e o resultado pode ser bastante interessante. Creio que ele não permitirá sulcos muito profundos da lâmina nem liberdade para correções, mas isso é uma opinião, e talvez tendenciosa, pois ainda não testei raspar diretamente sobre esse papel.

Veja mais sobre Scraperboard (texto em inglês).

Preparo do papel

Pode-se utilizar qualquer papel de alta gramatura, ao menos acima de 250 g/m2, para servir de base. Como a técnica pode exigir raspagens de certa profundidade, um papel espesso dará conta de suportar as intervenções. Costumo usar o Cartão Supremo, que é branco e parece não ser muito ácido. O Papel Paraná também poderia se prestar bem, pois apesar da acidez excessiva, haverá um isolamento dado pelo tratamento que exponho adiante.

(É bom esclarecer que acidez é o que costuma causar transformações ao longo do tempo, portanto um papel ácido muda de cor, amarelecendo com o passar dos anos, e pode apresentar outras características físico-químicas causadoras de problemas, interferindo na tinta ou na capacidade de suportá-la. Até a integridade física do papel pode se deteriorar, havendo formações de bolhas ou escamações etc.)

A fim de proporcionar uma boa base para a raspagem, inicio então aplicando uma camada de gesso mais ou menos diluído em água, acrescido de tinta acrílica branca em proporção aproximada de 1/3 (uma parte de acrílico para 3 de gesso), mistura essa que não deve estar nem muito viscosa nem muito aquosa. O ideal é a textura parecida com a do creme de leite. Após a aplicação do creme, aliás, do gesso, distribuo morangos, aliás, distribuo o gesso com um rolinho de espuma, até que a secagem gradual do gesso, que vai acontecendo pouco a pouco, permita que o rolinho deixe a superfície bastante lisa. Quando isso acontece, cesso a atividade com o rolinho e deixo secar bem, lixando a seguir com lixa d’água para metais, bem fina (600) e depois reaplicando nova camada de gesso. Repito a operação várias vezes, cerca de 3 ou 4, sempre lixando bem entre as demãos, até que a superfície pareça estar bem lisa.

A lixadura deve ser muito cuidadosa e paciente, procurando-se eliminar ao máximo os orifícios oriundos das minúsculas bolhas, que sempre remanescem apesar da passagem do rolinho. Isso porque esses furinhos, apesar de pequeníssimos, conduzem a desvios da lâmina, podendo distorcer a uniformidade do traço ou causar "degrauzinhos" indesejáveis.

A seguir, aplico várias camadas espessas de tinta acrílica branca, também ligeiramente diluída, deixando secar bem e lixando entre as demãos. A distribuição da tinta novamente é feita com o rolinho. Pode-se usar também látex branco ou talvez (ainda não experimentei isso) base acrílica para telas ou artesanato. O importante é que seja um material plástico, cuja raspagem permita a retirada de finos filetes dessa base. Como a tinta nanquim (usada no Scraperboard mais tradicional) está aplicada sobre essa base plástica, os filetinhos raspados levam junto a tinta preta, fazendo assim com que surja o branco.

Logo é possível notar que os filetinhos saem enroladinhos como macarrão parafuso. É bom se soprar esses filetes longe a cada 2 ou 3 raspagens, pois a presença deles ali sobre o papel pode manchar partes brancas do trabalho, deixando tudo um pouco sujo e acinzentado. Na figura abaixo (clique para ampliar) se pode ver um estudo sendo realizado enquanto um dos filetes enrolados já sai logo abaixo e à direita da ponta da lâmina de raspar.